Educação dos filhos no Japanese Lifestyle: aprenda você mesmo e não delegue sua função de pai ou mãe

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Como educar os filhos - dicas no japanese lifestyle

Desde que meus filhos nasceram, meus amigos ficavam boquiabertos com a maneira que eles se comportavam. Desde o “castigo” que eles aceitavam sem reclamar, a falta de choradeira, a obediência e a cumplicidade que sempre existiu entre nós.

Eram independentes, tranquilos e obedientes. Fui chamada de “sargentão”, sem coração… e por aí vai. Conforme eles foram crescendo, muitas pessoas me diziam: \"Cara, quero saber criar meus filhos, como você cria… admiro a educação que eles têm… como são tranquilos e estudiosos.\"

Daí, veio a ideia da minha filha Marina, de que eu compartilhasse com outras pessoas, a forma como os eduquei, que ela achou bem acertada. Ufa! Que bom! Quem sabe, funciona com você também? Faz 28 anos, que eu comecei nessa vida de mãe. No dia 16 de Novembro de 1988, nascia o meu filho Daniel.

Muitos, ao final da leitura, podem não concordar com o que foi escrito ou não queiram ter tanto trabalho. O objetivo aqui é mostrar uma pegada, onde você vai ter muuuuito trabalho por 15 ou 20 anos e depois vai ter o resto da vida para curtir a sua obra: filhos bem criados para o mundo! Mas, lembre-se de que ninguém é perfeito!

Quer ser uma boa mãe?

O Brasil é um país maravilhoso. É um país de muita liberdade, onde QUASE TUDO É PERMITIDO. Do outro lado, temos o Japão, um país onde se vive sob REGRAS PARA TUDO! Até gargalhar não é permitido, se isso incomodar o vizinho. E foi sob essa dicotomia que fui criada. Meus pais, então, criaram o \"QUASE TUDO, COM REGRAS, É PERMITIDO!\" Rsrs! Liberdade com responsabilidade!

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Assim eu fui criada e, assim, criei meus filhos. Princípios morais e éticos, estão no DNA. Manter isso, num país tão plural quanto o nosso, é um desafio e tanto.

É claro que não existe a fórmula perfeita, mas vou te falar de 3 regras que segui, sem desculpas:

  • Não dá pra ter preguiça: é naquela hora que você está exausto, que você vai ter que buscar forças, não sei de onde, e levar seu filho na balada, sábado à noite, depois de estudar o dia inteiro na pós e ficar esperando a festa acabar;
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  • Crie pro mundo: isso dói e você vai chorar! Às vezes, você quer “negociar”, tipo “só dessa vez”, ou ainda “tadinho”… Amar é dar limites, é dizer não, é punir e não só dar amor e carinho. Tem que punir quando é devido. Melhor chorar um pouquinho hoje, do que passar a vida inteira chorando;
  • Seja exemplo, sempre: isso não é negociável. O seu filho tem que ver em você, aquilo que você diz ser. Não adianta ensinar, se você mesmo não faz. Dizer pro filho não mentir e você mandar ele dizer que não está em casa, para não falar com aquele parente chato é, no mínimo, inconsistente.

Agora, o grande segredo disso tudo, é a educação japa que tive da minha mãe. Sempre ouvi meus pais dizerem que educação seria o único legado, a única herança que eles nos deixariam. Minha mãe, em particular, foi uma educadora incansável e implacável. A baixinha é uma gigante! Queria ter sido uma mãe educadora como ela é pra mim. Mas acho que cheguei perto… Rs! E o que repliquei pros meus filhos? Educação dentro e fora de casa, respeito e honra!

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"Mas Milene, eu não tive mãe ou não tive a educação que você teve. O que fazer nesses casos?"... Eu te digo, que você consegue! Ainda bem que você é adulto e pode fazer suas escolhas, sem desculpas. Você não precisa repetir o que é ruim, mas pode pegar bons atalhos com quem fez dar certo. Esse é o meu papel nesse post. Te dar dicas para facilitar a sua vida de pai ou mãe.

 

Quando comecei a ser mãe

Filho tem que ser querido: Desde os meus 13 anos, eu sonhava em ser mãe. Amei meus filhos, sonhava com eles, antes deles serem projeto. Eu queria ser mãe! Não seja mãe porque engravidou ou porque casou. Seja mãe porque você tem certeza de que quer ser mãe. Isso me facilitou as coisas, porque eu sabia o que tinha que fazer. Se não souber, LEIA! Aceitei muitos conselhos da minha mãe... Ouça conselhos de pessoas que são referência como boas mães.

Uma coisa que aprendi com a vida e com muita leitura, é que O FRUTO NÃO CAI LONGE DO PÉ! Tudo o que somos e fazemos, vem impregnado do que os nossos pais são ou fazem - é claro que, quando crescemos e amadurecemos temos a capacidade de tomar decisões como: ser ou não ser como meus pais. Uma educação ruim não deve nem precisa ser usada como desculpa para não mudar algo que você não gosta em si mesmo - Daí, a importância de você ser, antes de mais nada, aquilo que você quer que seu filho seja. Hummm! Essa parte é difíííícil!

Se você quer um filho estudioso, estude; quer um filho que não se acomode, não fique você no sofá; quer um filho organizado e cuidadoso, seja organizado…. quer um filho realizador, arregace as mangas e vá à luta. Uma vez, o Daniel tinha que ler "Tristão e Isolda" e fazer um trabalho pra escola. Quando vi que ele não pegava no livro e já estava cansada de cobrar, eu mesma comecei a ler o livro, depois das 22h. Por quê esse horário? Ele estudava no Colégio Pedro II à noite e quando ele chegava, me via com o livro dele (ficava com ciúmes) e dizia: "Mãe, eu preciso ler agora." Chamei ele pro desafio, sem ele perceber. O que se vê hoje é muito mimimi e pouca ação. Já parou para pensar no que pode estar acontecendo de errado na educação do seu filho? Talvez seja VOCÊ! Coerência galera!

Como eu disse, não é receita de bolo, mas dá para acertar mais do que errar. Hoje, sei que acertei mais do que errei, quando ouço meus filhos me dando feedback: "você sempre fez tudo por nós; você sempre correu atrás, você sempre esteve do nosso lado; você expulsou a gente de casa quando éramos crianças…". O curioso é que você não precisa ser uma pessoa perfeita para acertar. Basta me conhecer e você vai ver que tenho milhaaares de defeitos. O que importa é a sua coerência. Suas palavras têm que estar recheadas de exemplo!

 

Minha jornada como mãe

Quando terminei a faculdade, me casei e me mudei para o interior do Estado do Rio de Janeiro. Minhas amigas não acreditavam que eu, que adorava bater perna, gostava de festas, fazia o que queria, tinha me casado e, ainda, tinha virado MÃE! E como mãe, tive que fazer algumas mudanças. É importante que você saiba, que nós temos vários papéis a desempenhar: temos a hora de ser mulher, de ser a profissional e a de ser mãe. E você tem que saber diferenciar isso. Na maioria das vezes, a criança aprende experimentando, "provando" o mundo (e a nossa paciência). Ensine, vivendo experiências com seu filho.

Quando o Daniel tinha quase 2 anos, ele queria colocar a mão no ferro de passar. Eu estava passando roupa e ele querendo pegar o ferro. Criança é curiosa e eu sabia que ele ia continuar, mesmo eu dizendo não. O pior seria se ele colocasse a mão, num momento de descuido meu. Eu desliguei o ferro, esperei esfriar, mas deixei quente o suficiente pra assustar, mas não grudar os dedos. Coloquei a mão e vi que não havia perigo dele se queimar, segurei o ferro e deixei ele colocar a mão. Ele encostou a mão no ferro e tirou rapidinho. Vale a pena ter paciência para ensinar. Assim, nunca tive surpresas com acidentes domésticos.

Outro episódio aconteceu com Marina, quando ela tinha uns 4 anos. Por ter piscina em casa, coloquei os dois na natação desde cedo. No primeiro dia de aula, o Prof. Henrique pegou Marina no colo e perguntou pra ela: "você sabe nadar?" E Marina balança a cabeça afirmativamente. Aí ele diz: "não, você não sabe nadar…" e Marina continua insistindo que sabe. Esse diálogo dura uns 2 minutos até que o professor, joga a Marina no meio da piscina e deixa ela beber um bocado d'água. Antes dela se afogar, ele vai lá e tira a pobre criança, já quase chorando. Ele a pega no colo e olhando nos olhos dela, pergunta: "você sabe nadar?" Com um olhar pra lá de desesperado, ela responde que "não, eu não sei nadar não tio". Ela aprendeu que não sabia nadar, de forma supervisionada. E eu quase morri, mas não tirei a autoridade do professor. Afinal, ele era o professor! Rs!

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Seja firme

Certo é certo, errado é errado! Se você não estiver disposta a chorar, não seja mãe. Muitas vezes, você vai ter que tomar decisões que vão doer demais em você… e não dá para voltar atrás. Você não pode ter dois pesos e duas medidas, pois seus filhos vão te atacar nessa sua incoerência.

Quando meus filhos tinham 4 e 7 anos, coloquei-os para fora de casa. Eles estavam brigando muito e não obedeceram à ordem de parar. Arrumei uma mochila para cada um, coloquei água, lanche e roupa, coloquei-os para fora do portão e disse para não voltarem mais. Feito isto, não olhei pra trás. Moro num condomínio e eles foram até o portão da entrada do condomínio, de mãos dadas e ficaram por perto até o pai chegar do trabalho. Quando o pai os encontrou sentados na calçada e soube o que tinha acontecido, disse-lhes que deveriam se desculpar comigo. Assim, quando chegaram em casa, me pediram desculpa e falaram que não iam mais brigar. Ah! Aprendi com minha mãe que quando irmãos brigam, não se deve tomar partido. Não alimente mais rivalidade.

educação japa - marina e daniel
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É claro que, hoje, tem que se levar em conta o mundo louco em que vivemos. Morávamos no interior, há 20 anos, a violência não era tão grande e os vizinhos ficaram vigiando. Rs! Uma delas veio me falar que eles estavam na rua e eu disse que tinha colocado eles para fora de casa. Ela disse: "Tadinhos".

 

Dicas extras

  • Saiba de tudo mais do que eles! Se eles navegam na internet, saiba como rastrear e ver por "onde" eles andam. O Daniel jogou um RPG online que se chamava "The Crims", onde se formava uma gangue que matava, roubava, aliciava prostitutas... Claro que acabei com a gangue! Se não sabe como fazer, aprenda!
  • Tenha interesse pelas coisas deles! Tive que aprender tudo sobre os "Cavaleiros do Zodíaco", quando o Daniel veio todo entusiasmado falar sobre Seiya, Hyoga e eu fiquei perdida. Fui na banca de jornal, comprei todas as revistas dos Cavaleiros do Zodíaco e fui entender sobre o que ele estava falando. Em pouco tempo, pude dialogar com ele. E assim, foi com a Sailor Moon e com os Tamagochi. NUNCA deixei eles levarem para a escola. Eu cuidava e quase matava eles de fome, enquanto meus filhos estavam na aula. KKKKK!
  • Estabeleça horários para tudo: estudar, brincar, celular, jogos, refeições e dormir. Você não consegue dormir cedo? Vai ter que aprender...
  • Cuide da alimentação deles (mesmo que você não cozinhe): quando se tornam adolescentes e têm um pouco mais de autonomia, você saber o que eles comem e a quantidade, pode significar muuuuitaa coisa. Se perceber alterações, elas podem significar doença, problemas emocionais ou até mesmo, uma forma de chamar a atenção. Portanto, esteja vigilante.
  • Caso sejam menores e queiram ir para balada, vá junto: já fiz passinho de funk com os amigos deles, de terninho e salto. E eles não tinham vergonha. Saiba como fazer isso, no próximo tópico. Saiba ao menos onde estão. Faça um esforço pra levar e buscar (essa é a parte que dá trabalho).
  • Faça da sua casa, o local onde seus filhos e amigos queiram estar: faça lanches gostosos, fale a linguagem deles, não se preocupe se sujarem o chão ou quebrarem um copo. Sujou, limpa! Faça com que seus filhos se orgulhem de você, quando o amiguinho diz: "sua mãe é muito legal". Bingo! Você entrou para a turma! Lembra da história de não ter preguiça? Aqui também se aplica.
  • Conhece aquele ditado, "dar para receber"??? É galera… não dá pra ser diferente. Dedique-se, abra mão, perca noites de sono, dê o seu melhor como pai/mãe. As chances de você ter um bom filho(a), é diretamente proporcional ao fato de você ser um bom companheiro de viagem para o seu filho. Aliás, recomendo fortemente a leitura desse livro, que me ajudou muito: Pais e filhos companheiros de viagem.
  • Dar liberdade não é deixar que façam o que quiserem: muitas vezes, isso soa para eles como desamor. Dê limites, dê responsabilidades. Ensine à serem resilientes, pois se você não fizer isso, o mundo vai fazer de uma forma não didática. Enquanto forem menores ou dependerem financeiramente de você, te devem obediência e respeito, sim!

Enfim, o que quero deixar pra todas as pessoas que têm filhos, é que educar dá trabalho, dói, mas não se pode amolecer. E a dica maior, fica pro final: Faça o que fizer, FAÇA COM AMOR! Lá no fim das contas, eles entenderão que o tapa, o castigo, o sermão, foram absolutas provas de PURO AMOR! Acredite! Vai dar certo! Não precisa ser perfeita; basta ser exemplo... sempre!

Arigatô Daniel e Marina! Graças à vocês, pude ser uma mãe melhor. Não a melhor do mundo, mas a melhor que pude ser, com todas as minhas limitações! Vocês é que souberam ser filhos maravilhosos!

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Milene Tsuge

Jornalista por formação, é curiosa e espontânea. Sua marca registrada é o sorriso. Sabe ser sargentão, mas tem os momentos "deixa a vida me levar". Muito autêntica no seu jeito de ser, é uma mãe "vida loka".