Mountain Bike Downhill: Emoção extrema morro abaixo!

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Entendendo o Mtb Downhill

O Mountain Bike Downhill (DH) é um esporte extremo, onde os pilotos descem uma montanha passando por todos os obstáculos que tiverem, até cruzar a linha de chegada lá embaixo, no menor tempo possível.

Os desafios incluem a geografia acidentada do percurso, com obstáculos formados pelos elementos naturais que são bem explorados pelo construtor de pista. Curvas, calombos, árvores, raízes, buracos, rochas e pedras, combinados com obstáculos artificiais especialmente construídos para dar fluidez, dificuldade e também ajustes em linhas de percurso. Entre os obstáculos, rampas com angulações diferentes: as rampas com grau servem para ganhar altura; as retas, para atingir distâncias ou passar por pequenos vãos (gaps). Já as rampas muito grandes combinam altura e distância, mas não são comuns em todas as provas de Downhill. Outros obstáculos artificiais encontrados, podem ser curvas de madeira, para dar mais segurança em pontos de alta velocidade e mesas, também de madeira, para compor o conjunto de rampas ou criar diferenças de alturas entre o traçado da pista.

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O piloto local Diego Vasconcelos (Free), um dos que começaram o movimento de abrir novas linhas na 2-2

As bicicletas são um show à parte

Elas possuem muita tecnologia envolvida e seu design de quadro diferenciado chama muito a atenção. Possuem suspensão traseira, não só para dar conforto, mas proporcionar uma "leitura inteligente” do terreno, mantendo o piloto sempre "no chão".

A suspensão dianteira é grande e alta, para oferecer amortecimento e transpor pequenos e médios obstáculos, encontrados diretamente no terreno.
Pensando no conjunto das duas suspensões da bicicleta de downhill, elas são responsáveis pelo piloto conseguir passar por todos os obstáculos, com segurança e eficiência.

Os freios à disco são potentes, cada vez mais sensíveis e modernos. O sistema de marchas, a cada ano, se torna mais eficiente para não causar nenhuma perda de tempo, na hora de retomadas de curvas ou sprints de largada e chegada. O sitema de marchas também é responsável, por tornar a pedalada mais leve ou pesada de acordo com a necessidade do piloto.

Além desses principais elementos, as demais peças são fortes e leves. O uso de carbono é bastante comum em guidão, canote e também rodas, assim como alguns periféricos usados nos demais elementos, como no sistema de marchas e freios.

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Nestor Vidal, na sequência de curvas

No geral é uma ferramenta bem cara e desejada, mas que só atende à modalidade "descida de montanha". Existe uma exceção: um evento mundialmente famoso que utiliza bikes de Downhill, que é o RedBull Rampage, onde pilotos descem terrenos bastante acidentados, com rampas muito grandes. Essa modalidade se chama Freeride. Exige muuuita perícia e técnica do piloto, mas necessita de uma bicicleta altamente tecnológica e eficiente, como a de Downhill.

A bicicleta de DH não é indicada para pedaladas longas, mas é uma bicicleta totalmente pedalável e atende à um passeio curto ou uma brincadeira em qualquer outro tipo de pista que não tenha subida.

Definitivamente, para subir uma montanha, essa bicicleta não é adequada. O sistema de marchas não deixa a pedalada confortável e leve e o conforto do sistema de amortecimento, não favorece o deslocamento morro acima. Além disso, é mais pesada, comparado a outras bicicletas mais simples ou apropriadas para tal modalidade, como o Cross Country (XC).

Competições de Downhill

A competição de DH acontece com uma particularidade, que é o "resgate", nome dado ao momento em que o piloto é conduzido até o topo do montanha, para apenas descê-la. Em lugares especialmente preparados para funcionar como Bike Parks, o resgate é feito através de teleféricos, comum também em países que em certo período do ano neva, explorando o lado comercial do esqui e suas vertentes. Após o degelo, acontece a temporada de bike. Em especial, podemos citar o Whistler Bike Park no Canadá que funciona exatamente dessa forma e que realiza, anualmente, em agosto, o evento mais famoso do ciclismo extremo, o Crankworx, envolvendo várias competições e uma programação inteiramente voltada para a bicicleta e suas modalidades.

O Downhill é bastante difundido no Brasil, mas bem segmentado. Com um mercado forte e pilotos com destaque internacional, como o mineiro de Ouro Preto, Bernardo Cruz, que já foi Campeão Brasileiro algumas vezes e participa do circuito mundial (UCI), tem destaque também em provas alternativas de Manobras (Campeão do Whip Of The Worlds e outras) e de Downhill Urbano (Campeão do RedBull Sky Gate, do Taxco Downhill e vencedor de etapas do City Downhill World Tour).

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Junior Leite andando forte pela equipe BIKESHOW apoiadora do Desafio DH 2-2

O Campeonato Brasileiro de Downhill 2016, aconteceu em 24 de julho e nossa entrevistada na matéria do Enduro, Barbara Jechow, sagrou-se campeã da modalidade.

Por todo o país acontecem eventos regionais e a plasticidade do evento agrada bastante o público, que sobe os morros para ver os pilotos em ação.

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Igor Carvalho (Bocão) da equipe GPR do Parque da Cidade de Niterói

Uma diferença do Downhill brasileiro, é o fato de termos a Categoria Rígida.

Essa categoria utiliza bicicleta convencional, sem o conjunto de amortecedores dianteiro e traseiro. Apenas a suspensão dianteira é utilizada e exigida e o quadro é rígido, simples. Essa categoria nos eventos de Downhill só existe aqui no Brasil. Pode ser a forma encontrada de inserir novos pilotos com bikes mais simples, como se fosse um iniciante (apesar de terem ótimos pilotos correndo na Rígida), mas também pode ter a ver com nossa economia, que não permite que todo mundo tenha uma bicicleta de downhill. Não se sabe ao certo, mas, realmente, é uma ótima forma de estimular novos praticantes.

Recentemente, aconteceu no Rio de Janeiro uma prova que inaugurou uma nova pista no circuito, em pleno miolo do Estado, na Zona Norte. Fácil de chegar e de sair, com segurança e conforto que a Linha Amarela oferece.

O Desafio 2-2 de Downhill rolou nos dias 16 e 17 de Julho, no final da Rua Dois de Fevereiro, próximo ao Engenho de Dentro. A pista é completa e a área é ótima, podendo se tornar uma referência nacional em breve.

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Representante da área 51, Pedro Saldanha

Já conhecia essa modalidade extrema do Mountain Bike?! Compartilhe com seus amigos que curtem esportes radicais!


Matéria especial com Fábio Henning, um dos representantes da 2-2

O Downhill no Rio de Janeiro

Essa modalidade começou no Rio de Janeiro nos anos 90, onde uma galera já fazia a modalidade do MTB (Mountain Bike) com as bikes ainda sem nenhum preparo específico para modalidades extremas, como o Downhill

Em meados de 1998, eu pedalava muito nas estradas que cortam a Floresta da Tijuca e um dia cheguei até o horto no Jardim Botânico. Uma trilha nos levou ao Parque da Cidade da Gávea e descobri uma galera que também gostava de pedalar, só que de uma forma mais radical em trilhas feitas por eles, formando um circuito. De lá para cá se passaram 25 anos e o esporte tomou forma, os equipamentos evoluíram e o acesso a essa tecnologia, própria para o esporte, ficou menos distante para aquisição.

E hoje, vejo a modalidade mais madura, atletas surgindo por todos os cantos do Brasil em campeonatos estaduais, nacionais e até internacionais. Hoje somos precursores de transmissão das modalidades extremas, ao vivo, em rede nacional, faltando pouco para o esporte ser mais conhecido. E o crescimento traz necessidades de mudanças, principalmente em relação ao suporte que deveríamos ter das entidades oficiais gestoras das modalidades ciclísticas. No Brasil, as diversas modalidades ainda são tratadas com desigualdade pelas entidades e vemos nossos melhores atletas sendo tratados com descaso, tendo que bancar suas próprias despesas e, às vezes, têm que comprar a própria camisa da “CBC” (Confederação Brasileira de Ciclismo). Em contrapartida, temos bons exemplos de empresas que apoiam as pequenas iniciativas e jovens atletas, e mesmo de maneira modesta, são fundamentais para dar início ao processo de profissionalização.

Com isso, hoje vemos essa nova geração de ciclistas, que mesmo sem condições financeiras favoráveis, estão aí com suas bikes mais simples e sem um carro para resgatar e levar até as trilhas e campeonatos. Eles pegam trem, metrô e pedalam em suas “magrelas”, subindo e empurrando-as até o topo das trilhas, fazendo seus treinos.

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Pequena Luana cria do CT2-2 irmã do piloto Luan Salles

O que é a 2-2?

2-2 é um espaço que foi descoberto e desbravado há 3 anos, mais ou menos, por atletas experientes e iniciantes no MTB, que buscavam novos espaços para a prática de uma modalidade mais extrema do Mountain Bike, conhecida por Downhill.  Esse movimento chamou a atenção dos moradores locais e o responsável do terreno do clube e morador do local, Luiz Otávio, onde a pista estava sendo aberta. Isso nos preocupou muito, pois poderíamos perder um espaço muito promissor, caso alguém fosse contra.

Mas, ao contrário da nossa expectativa negativa, conversando com o Luiz Otávio, soubemos que erámos bem vistos por todos, embora os antigos moradores que ocupavam a área, gerarem certa insegurança nos outros. Com isso, os finais de semana não foram mais os mesmos... Muitos atletas nas manhãs de domingo em busca de diversão, muita adrenalina e uma relação raramente vista entre nosso grupo e os moradores, que hoje são os maiores parceiros e apoiadores.

Dessa forma, com o apoio dos moradores, os ciclistas Eduardo Fiuza, Everson Rosa, Patrick Lemos e muitos outros amigos da 2-2, começaram os trabalhos para a construção de novos obstáculos e linhas novas, dando oportunidade aos pilotos, mais novos e mais velhos, evoluírem. A grande surpresa foi o surgimento de novos atletas, em idade e em evolução.

Da largada da 2-2, uma visão privilegiada do Engenhão

O espaço se localiza no bairro do Engenho de Dentro, zona norte do Rio de Janeiro, no final da Rua 2 de Fevereiro e é, por esse motivo, ser conhecida  como 2-2. Mais tarde veio a ser denominada CT 2-2, se tornando uma referência entre os iniciantes e atletas já renomados em competições estaduais, por encontrarem boas condições e obstáculos de níveis variados. Hoje, após esse crescimento, é conhecido em todo o Brasil.

Nosso novo objetivo é tornar o 2-2 uma referência para a comunidade, de um espaço democrático, que todos possam desfrutar, andar de bike, fazer sua caminhada pelas trilhas ou iniciar seus passos no esporte.

Uma das nossas diretrizes mais importantes para utilização do espaço, é a segurança, com a utilização de equipamentos e todos os menores de idade, têm que ter autorização de seus pais. Basta falar direto conosco, que explicaremos o grau de perigo e a necessidade de atender às exigências da utilização de equipamentos de segurança e que mesmo sendo perigoso, pode ser feito com responsabilidade. Com isso, hoje temos muitos atletas menores de idade com os pais acompanhando seus filhos, no fim de semana.  O espaço está aberto para qualquer atleta utilizar, desde que obedeça às regras de segurança, conduta ética de educação com os amigos e limpeza do local.

Uma das maiores resistências, para utilização do CT 2-2, é devido ao nosso espaço estar localizado entre duas áreas muito perigosas. Por causa do problema crônico dos morros do Rio de Janeiro - o controle do tráfico – há esse receio por parte das pessoas. Mas não há o que temer. Por uma grata realidade, nosso espaço fica longe dessas áreas de conflito, além de estar localizado na Base da UPP Camarista Méier, que nos apoia em todas as ações, fazendo com que ao espaço seja seguro.

E esse primeiro evento no local?

A realização de um primeiro evento no CT 2-2, sempre foi um desejo de todos que frequentam o local. Porém a decisão levou um tempo para acontecer, por nunca ter sido o foco das nossas ações, e sim criar este espaço democrático para todos e para todas as modalidades do MTB (XC, Enduro e Downhill). Como em qualquer grupo, onde há muitas pessoas com ideias, desejos e experiências diferentes, fazer com que todos olhem para a mesma direção, é e, sempre será a parte mais difícil, em qualquer organização envolvendo gente.

O tempo foi passando, o desejo foi se transformando em necessidade e houve uma certa cobrança da galera. Em um dado momento, surgiu a proposta de nos juntarmos a mais três pessoas, que nos falaram do desejo de fazer uma prova de pequeno porte, onde o lucro seria voltado para investimento no CT2-2.  Assim, começou o movimento para conseguir a autorização do Luiz Otávio, onde nos foi colocada a exigência da legalização da prova, junto ao órgão gestor da modalidade (FECIERJ) e o atendimento às normas de segurança, como a presença de Unidade Móvel UTI durante o evento. Seria impossível a realização da prova sem o cumprimento dessas exigências. Entendemos a necessidade de sermos mais profissionais e fomos atrás!!

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Natha Melo da loja JA Bike Shop detonando o rockgarden

Junto com a parceria da UPP, Luiz Otávio, alguns colaboradores (pilotos) e todos os apoiadores que acreditam em nosso trabalho pelo esporte, conseguimos um evento que entrou para o calendário oficial da FECIERJ e o reconhecimento dos atletas e do público presente, que era, para muitos moradores do bairro, um esporte desconhecido. Entendo tudo isso com muita positividade e que nossa responsabilidade aumentou. Hoje estudamos e estamos montando um projeto para buscar as parcerias público/privadas, para concretizarmos um projeto que é sonho de todos.

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Igor Carvalho (Bocão) da equipe GPR do Parque da Cidade de Niterói

Imbuídos desse sonho, entramos em um novo momento do espaço CT 2-2 e começamos a desenhar o projeto que abrange o investimento em uma área, para construção de um Pump track (é uma pista parecida com a de BMX ou de saltos - dirt jump - só que em menores proporções). Com isso, será possível iniciar escolinhas de bike para as crianças e adultos que estejam iniciando e/ou desenvolvendo sua técnica de leitura de terreno, permitindo aos atletas do DH, XC, Enduro e BMX, aprimorar sua técnica de aproveitamento das irregularidades do terreno. Ufa! As ideias são muitas e nelas está o desejo da democratização do espaço. Quanto às provas, sempre terão o objetivo de investir no Espaço CT2-2.

Sempre estaremos abertos à ajuda dos atletas e pessoas que aparecerem para meter a mão na massa. Conseguimos a atenção de lojistas, mas queremos envolver marcas renomadas no segmento. Estamos montando um projeto para apresentar às empresas e sensibilizá-las a abraçarem nossa causa. O objetivo é implementar ações voltadas às crianças, que tiverem vontade de participar da nossa escolinha de bike.

Caso alguém ou alguma empresa quiser ajudar, entre em contato conosco:

Resultados do evento:

Rígida:

024 Rodrigo Luiz 1:53,4
171 Michel  Santos 1:57,0
201 Franciel Souza 1:58,6

Enduro:

216 Gabriel Lopes 1:50,5
112 Jailson Rosa  2:11,7
201 Bruno Maia 2:16,4

Juvenil:

092 Igor Silva 1:52,7
108 Caio Malta 1:57,7
054 Murilo Oliveira 2:01,8

Junior:

210 Cristian Lucas 1:51,1
085 Alexandre Gomes 1:52,5
201 Luan Salles 1:54,3

Expert:

107 Bruno Silva 1:45,3
099 Matheus Moura 1:50,8
021 Luan Silva 1:52,3

Master:

199 Felipe Serra 1:56,1
160 Wagner Azevedo 1:56,8
177 Fabio Henning 1:57,2

Elite:

107 Bruno Silva 1:44,5
216 Gabriel Lopes 1:51,2
012 Igor Carvalho 1:51,6
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Murilo Oliveira da galera da Trilha dos Espinhos

Jony Anderson

Publicitário . Biker . Construtor de Pistas de Bike . Piloto de Pumptrack For Fun . Skatista Aposentado. Editor do Vida de Tsuge e agora, também, escrevendo matérias de Esportes Radicais para o Eu Te Incentivo.