Hiroshima e Nagasaki: Japão relembra os 73 anos da bomba atômica

Eram 8h15 da manhã do dia 06 de agosto de 1945, em Hiroshima. Um “menininho” seria o responsável por mais de 80 mil mortes naquele dia. “Little Boy" era o nome da bomba atômica que foi lançada sobre a cidade de Hiroshima. Ela explodiu a cerca de 500 mt do chão e causou a morte de mais de 140 mil, nas primeiras semanas. Construções foram destruídas e pessoas pulverizadas, num raio de 2 quilômetros.

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Em 09 de agosto, três dias depois, às 11h02, a segunda bomba, chamada de “Fat Boy” e mais poderosa que a primeira, foi lançada sobre Nagasaki, provocando a morte de mais de 40 mil pessoas, instantaneamente. Estes episódios foram considerados como o maior ataque à população civil, na história da humanidade.

Este mês se relembra a tragédia da bomba atômica, no Japão, que tornou Hiroshima e Nagasaki conhecidas no mundo inteiro. Ainda hoje, se contabilizam o número de vítimas (mais de 250 mil) dessa potente arma nuclear, que deixou milhares de sobreviventes – hibakusha – que sofrem com os efeitos da radiação. Essa lembrança também serve para mostrar como as cidades se reconstruíram.

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Por que bombardearam Hiroshima e Nagasaki?

O motivo de lançarem bombas atômicas no Japão, foi a guerra deflagrada contra aos Estados Unidos, após o ataque a Pearl Harbor em 1941, numa tentativa clara de afastar a presença americana do continente asiático. Até então, o Japão havia sido vitorioso na conquista de territórios em várias partes da Ásia, derrotando as tropas americanas, inglesas e francesas. Não demorou muito para essas conquistas (Filipinas, Malásia, Cingapura, Hong Kong, Birmânia, Índias Orientais, Holandesas, etc) se transformarem em derrotas.

Após 6 meses do ataque a Pearl Harbor, os Estados Unidos viraram o jogo, com a batalha de Midway, derrotando os japoneses. A partir daí, o Japão foi enfraquecendo o seu poderio e em 1945, estava falido pela guerra e o povo passando fome. A rendição era certa!

O bombardeamento da cidade de Hiroshima, foi uma estratégia adotada pelos EUA para forçar a rendição japonesa, já que o imperador Hirohito, recusara a rendição um mês antes. Como uma invasão por terra, causaria muitos milhares de mortes a mais, o presidente dos Estados Unidos, Henry Truman, ordenou o lançamento da bomba atômica em Hiroshima, considerada uma base militar. Outros alvos considerados foram: Kyoto, Yokohama e Niigata.

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Mesmo assim, o Japão recusou, mais uma vez, a rendição e 3 dias depois, uma bomba mais poderosa, “Fat Man”, foi lançada sobre Nagasaki, causando a morte instantânea de 40 mil pessoas. O curioso é que o alvo da segunda bomba era Kokura e não Nagasaki.

Mas por uma impossibilidade visual, nuvens e fumaça cobriam 70% da área de Kokura, o ataque seguiu para o alvo secundário, Nagasaki. Um outro ataque nuclear estava previsto para 19 de agosto.

Mas, no dia 15 de Agosto de 1945, o Imperador Hirohito fez o anúncio de rendição, que foi transmitido para toda a nação japonesa. O principal motivo, embora trágico, não foi o lançamento das bombas atômicas, e sim o exército soviético, que em 08 de agosto, invadiu a Manchúria e acabou com a ocupação japonesa na região.

Esta rendição, abriu o caminho para o fim da Segunda Guerra Mundial. Em 02 de Setembro, o ministro das Relações Exteriores do Japão, assinou oficialmente a rendição do país, a bordo do USS Missouri, pondo fim à Segunda Guerra Mundial.

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Retrato da bomba atômica

O desenvolvimento das bombas atômicas, surgiu com o Projeto Manhattan, em 1939, quando o presidente americano, Franklin Roosevelt, recebeu uma carta assinada por Albert Einstein alertando os Estados Unidos sobre um possível projeto alemão de construção de armas atômicas. Os Estados Unidos, então, junto com o Reino Unido e Canadá, começaram a construir armas atômicas.

Na bomba lançada sobre Hiroshima, que tinha uma potência equivalente a 20 mil toneladas de dinamite e temperatura de 1 milhão de graus Celsius no centro da explosão, causou um vento de 1.500km/h que matou 80 mil pessoas em poucas horas, num raio de 2km.

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Três dias depois foi a vez de Nagasaki. Outro B-29 despejou a “Fat Man”, uma bomba mais poderosa do que a anterior. Porém, graças a topografia da cidade, a devastação foi menor, porque as montanhas minimizaram os efeitos da bomba. Mesmo assim, 40 mil pessoas morreram instantaneamente.

Estima-se que o número de vítimas ultrapasse os 250 mil. Além das mortes em ação direta das duas bombas, dezenas de milhares morreram posteriormente em decorrência dos efeitos da radiação.

Lição para o Japão e para o mundo!

A guerra é sempre triste e cruel, mas o lado bom é que se pode aprender com ela e não cometer os mesmos erros. E como o povo japonês é especialista na arte de aprender e sempre evoluir, talvez tenha sido o povo mais preparado para passar por tal tragédia.

Até hoje, quando se fala em Hiroshima e Nagasaki, se pensa em Segunda Guerra Mundial e bomba atômica. Mas essas cidades que renasceram das cinzas, são muito mais do que só turismo de guerra. Elas se tornaram belas metrópoles, com natureza encantadora, sem perder o posto de “mensageiras da paz”.

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O prefeito de Hiroshima, Zaumi Matsui declarou no último dia 06: “Se a humanidade esquecer a história ou deixar de confrontar-se com ela, poderíamos voltar a cometer um erro terrível. Por isto devemos continuar falando de Hiroshima”. É também impossível não se emocionar ao visitar Hiroshima; ao visitar o Museu do Memorial da Paz e se deparar com imagens tão fortes de roupas de crianças e fotos do desastre. Dá uma tristeza bem grande, mas a cidade tem uma energia boa e mostra que a paz é o caminho.

Um lugar onde a energia é incrível, é a ilha de Miyajima. É lá que fica o Santuário de Itsukushima, que tem o torii vermelho dentro da água. Bom lugar para refletir sobre a paz, a guerra, o sentido da vida e onde você se coloca nisso tudo! Afinal, somos parte ativa da humanidade! Hoje, o Japão é uma das maiores potências do mundo e continua vítima de desastres naturais que assustam o mundo até hoje. Tsunami, enchentes, furacões, tufões... Mas o belo desse país, é o povo que levanta e dá a volta por cima, sempre!

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